domingo, 19 de outubro de 2008

Casão!

Sempre joguei bem no gol, mas queria mesmo ser centroavante. Até que eu fazia os meus golzinhos, ainda faço alguns, mas a verdade é que eles diminuíram bastante. Um dos jogadores que admirava era o Casagrande. Salvo engano, quando voltou para o Brasil, saindo do Torino da Itália, o atacante escolheu o Mengão para jogar. Passei a acompanhar sua carreia.
“O Casão foi o jogador mais Rock and Roll do Futebol” **. Sempre teve atitude, participou da Democracia Corintiana num período de repressão. E fazia muitos gols, pena que quando jogou no Flamengo já tinha alguma idade. Foi jogador da seleção brasileira também.
Depois de um grave acidente automobilístico ele sumiu. Tempos depois apareceu a notícia de que o agora comentarista estava internado, tratando-se da famigerada dependência química.
Gostava do Casagrande como jogador e como comentarista também. Achava seus comentários realmente bons. Muito melhor que o Falcão.
Ontem ele reapareceu. Uma entrevista no programa Altas Horas da Rede Globo. Emocionado, Casagrande revelou seu problema, as dificuldades que enfrentou, os momentos bons, as overdoses, a atitude da família. Falou também da felicidade de poder sair da clínica e voltar a trabalhar.
O depoimento é uma boa lição. Mostra o difícil caminho que dependentes químicos têm que percorrer para continuar vivos. Demonstra como é difícil ficar “limpo”. Exemplifica essa situação, relatando que teve uma recaída vendo um filme.
Não deve ser difícil achar a entrevista na internet para assistir, recomendo como um bom programa (participação de Skank) e como uma boa lição de vida. Acho realmente bacana a volta do Casão, que ele consiga se livrar de vez da sua doença, e que sirva de exemplo para os que não conseguiram ainda o que querem de verdade.

** Samuel Rosa

sábado, 18 de outubro de 2008

Quando alguma coisa chama minha atenção e tenho vontade, passo por aqui e deixo meus pensamentos e impressões. Alguns leitores do blog reclamam dos assuntos escolhidos. Muito futebol e esportes em geral. O blog existe para que meus amigos, os de longe e os de Brasília, mantenham contato e saibam o que penso “sobre tudo”. Pode ser qualquer coisa, uma vitória do Flamengo, uma derrota humilhante, uma nota de 3 reais, ou um seqüestro de 4 dias com desfecho trágico.
Confesso que não acompanhei o caso com muita atenção. Fiquei sabendo uns dois dias depois que um rapaz mantinha duas meninas presas em um apartamento. Que uma das meninas havia tido um relacionamento longo com o agressor. Não seria o primeiro caso dessa natureza registrado na história e não será o último.
Como estou com uma dor lazarenta nas costas, fiquei em casa durante a tarde de hoje. Pude ver várias coisas na televisão, inclusive um programa em que a mulher constatou que o marido é fiel, por meio de um detector de mentiras. Prestando atenção ao assunto dominante da casa percebi que o seqüestro ainda não tinha terminado. Mais de cem horas. Que uma das reféns libertadas tinha voltado pro apartamento.
Achei um desses canais de notícias 24 horas e fiquei acompanhando os comentários. Eram especialistas em segurança pública, psicólogos, etc... Todo mundo dando seu pitaco na situação. Mas tava sentindo um clima estranho no ar, alguma coisa me dizia que iria rolar uma merda federal.
Acho que todos já sabem o que aconteceu. Agora surgem milhões de perguntas, algumas nunca terão respostas convincentes.
A primeira coisa que me passou pela cabeça foi o seguinte: toda a mídia que ali se instalou não poderia ajudar em nada na resolução favorável do caso. Claro que havia uma TV no apartamento. O agressor sabia de toda a movimentação da polícia o tempo todo. Ainda temos que considerar que a exposição na mídia pode ter alterado a forma de pensar do rapaz. A repercussão gerada pode ter dificultado a liberação das meninas. A exposição na mídia do caso não gerou nenhum benefício aos mais interessados.
Comentários com relação à ação da polícia serão milhares. Como diria Humberto Gessinguer: “fácil falar, fazer previsões depois que aconteceu (...) moleza mandar a tropa atacar da tela do computador...”. Decisões têm que ser tomadas e as pessoas irão cobrar, no fim de tudo, a operação não foi bem sucedida. As vítimas saíram feridas e o agressor saiu andando. É bem verdade que a polícia sentou o sarrafo no cara, mas ele foi o que menos ficou ferido em todo o caso. Esse tipo de caso é considerado um dos mais difíceis de resolver. Quando a questão passional é envolvida. Uma pessoa assim pode fazer qualquer coisa, é capaz das mais variadas atitudes. Penso que a invasão do recinto só deveria ser efetuada na certeza de que o agressor seria contido. Penso também, que em casos dessa natureza, a prioridade deve ser a vida das vítimas. Olhando por esse prisma, a ação foi desastrosa.
Muitas coisas serão levantadas agora, porque os pais permitiram o namoro da filha de 12 anos com um rapaz de 19, porque o polícia invadiu a casa, porque demorou tanto pra invadir. Enfim, explicações irão surgir e não tenho a intenção de fazer isso aqui.
O que mais me assusta é a capacidade do rapaz de gerar tanto dano a uma pessoa com quem conviveu por muito tempo e que dizia amar. Estou fazendo estágio de prática penal esse semestre. Não posso apresentar números precisos, mas a imensa maioria dos processos que pude olhar são crimes cometidos por pessoas muito jovens, com no máximo 24 anos. Alguma coisa tem que ser feita.
São casos como esse que me fazem perder a esperança e a cada dia acreditar menos na humanidade.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Pede pra sair!

Márcio Braga, faça dois favores aos rubro-negros: cale a boca e vá embora!

sábado, 11 de outubro de 2008

Só no ano que vem!

O Hexa foi pro buraco. Com o vexame de hoje no maracanã, as chances de título acabaram. A libertadores também ficou difícil. São apenas dois pontos, mas a forma como o time jogou desanimou geral a MAIOR DO MUNDO. Sem o apoio da torcida esse time não vai longe.
É importante observar que todas as vezes que a torcida invadiu o Maracanã o time decepcionou. A falta da vaia ao final do jogo é o sinal do abandono. Pior que a rejeição é o desprezo. O time foi abandonado porque sempre que deveria mostrar algo não fez nada. Tirando o carioca, sempre que a torcida encheu o estádio neguinho afinou. América do México, São Paulo, Vitória, Galo, todos esses jogos com mais de 40 mil pessoas.
A derrota de hoje deve servir de lição para o ano que vem. Precisamos de um técnico urgentemente. Não dá nem pra reclamar do pênalti que o juiz (de São Paulo, diga-se de passagem) não marcou, quando se toma três de um timeco não existem desculpas.
Enfim, o ano do Mengão acabou hoje. Todos têm sua parcela de culpa, diretoria, escalador e jogadores."Cansei das falhas do Bruno, das firulas do Léo Moura, do "futebol" do Jaílton, da marra do Ibson, da indolência do Kleberson e da incompetência do Caio Junior e da Diretoria de Futebol.E o buraco pode ser ainda pior, afinal, resta o fantasma do Joel Santana."** O hexa vai ficar para o ano que vem.

PS1 : Os salários de jogadores e funcionários estão atrasados, será coincidência???
PS2**: Pedro Paulo do blog http://flamengonet.blogspot.com/

domingo, 28 de setembro de 2008

Quem disse que camisa não ganha jogo?

Chuva forte, campo encharcado, gol do adversário com falha do goleiro (falhas cada vez mais freqüentes). Roteiro de tragédia para qualquer um. A necessidade do resultado faz o time sair pro ataque e o segundo gol dos adversários é questão de tempo e de um contra-ataque bem encaixado. Já vimos esse roteiro inúmeras vezes.
Ontem parecia que tudo isso iria se repetir. A arco-íris (junção de todos os secadores) já festejava, quando aconteceu o que pediam 40 mil no maraca e mais de 50 milhões espalhados pelo mundo: “ Vamos virar, MENGO!!!”.
Virada espetacular em cima do Sport. Destaque para Vandinho, com um gol e uma assistência? Não. O destaque de ontem foi pra mística do Manto Sagrado. Quem ganhou foi a camisa. Empurrada pela massa a camisa do Flamengo fez o que os jogadores não conseguiram. Quando falta habilidade tem que ser na raça, pelo menos isso não faltou.
Qualquer um que estivesse ali faria os gols. O Manto se encarregou de fazê-los.
O texto do tricolete Nelson Rodrigues é bem melhor que o meu:
" Para qualquer um, a camisa vale tanto quanto uma gravata. Não para o Flamengo. Para o Flamengo a camisa é tudo. Já têm acontecido várias vezes o seguinte:Quando o time não dá nada, a camisa é içada, desfraldada, por invisíveis mãos. Adversários, juízes, bandeirinhas, tremem tanto, então, intimidados, acovardados, batidos. Há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará a camisa, aberta no arco. E diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável." (Nelson Rodrigues)
Parece que chegou o dia. Que a vitória de ontem seja a primeira da arrancada rumo ao Hexa. Eu acredito!!!
Saudações Rubro-Negras!

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Entre os dias 27 e 29 de agosto, participei da VI Conferência dos Advogados do Distrito Federal. Tudo muito bonitinho e bem organizado. Palestrantes de nível reconhecido, ministros, juízes, advogados de sucesso. E como é tudo muito chato. Depois desse tempo que passou e analisando tudo friamente, parece que não pertenço ao mundo das letras. Como já disse, pessoas de renome, falando para grande platéia, uns bem atentos anotando cada palavra, outros nem tanto.
Cabe aqui uma pequena mudança de rumo. Nem em um evento solene como este os horários são respeitados. Nenhuma das palestras começou na hora marcada e em todas elas o fluxo de pessoas era intenso, isto é, palestrantes e ouvintes sempre estavam atrasados. O palestrante Luis Roberto Barroso deu uma boa justificativa: “Partimos exatamente no horário, o destino é que atrasou alguns segundos”. Pela justificativa, esse foi perdoado.
Não posso esquecer o corpo do cerimonial, foi o que de mais atraente apareceu pelo Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Imagine você, pelo menos dez mulheres lindas, com saias acima do joelho e meias pretas. Sacanagem. Como prestar atenção em uma palestra com essas meninas circulando pelo salão. Isso sem falar da platéia, belas meninas de várias idades.
Muito curioso prestar atenção ao público presente. Não sei o que acontece com a galera do Direito, mas o fato é que todos se acham (como a moçada de hoje diz). Agora, pensem comigo, caros leitores, se um estudante já tem dois reis na barriga e acha que sabe de tudo imagine o que deve pensar um Ministro, um grande doutrinador, ou um advogado de sucesso. Todos se expressam bem e defendem suas idéias com veemência e alguma clareza. Clareza para os seus. Sem falar nos trajes.
É evidente que cada grupo profissional tem suas especificidades. Em palestras de operadores de direito para advogados e estudantes é lógico que essas peculiaridades irão aparecer. O que incomoda é o exagero e a soberba que apresentam essas pessoas. A linguagem utilizada e a forma como se portam os operadores do direito os afastam das pessoas mais simples, que são as mais necessitadas dos remédios jurídicos disponibilizados pelo Estado. Aquele que não pode se socorrer sem ajuda.
Dois temas abordados na conferência chamaram minha atenção. Primeiro, a inviolabilidade do escritório profissional do advogado. A aprovação de lei que decreta a inviolabilidade dos escritórios de advocacia foi muito comemorada pelos palestrantes. Argumentos contrários e a favor são vários. Porém, essa discussão não é o objetivo desse polst. Segundo, a necessidade e a urgência do melhoramento das defensorias públicas do nosso país. Melhorar a estrutura e a qualidade dos profissionais que atuam nesse seguimento do direito. A parcela mais carente da população continua sem ter acesso ao poder judiciário com a qualidade prevista na lei, pois as defensorias ainda não apresentam a qualidade que deveriam ter. É comum o senso de que só o pobre sofre as penalidades que a lei brasileira impõe. Senso esse que é comprovado pela realidade. Quem tem bons advogados e grana pode recorrer a todos os meios possíveis para se manter solto, ou se estiver preso pode até saborear uma lagosta com camarão na prisão. A verdade é que os bons profissionais não têm interesse em fazer os concursos para a defensoria. O cargo não conta com o prestígio e nem com a remuneração de postos equivalentes.
Essas são algumas de minhas aflições, coisas que me incomodam nesse mundo do direito. Parece que muitas dessas coisas fazem essa engrenagem girar. Não tenho mais a pretensão de mudar o mundo. Já a tive dos 17 aos 21 anos e vi que isso não passa de uma mera ilusão. A grande questão que se apresenta agora é como trabalhar nesse ramo que escolhi (não tenho mais tempo pra perder e “só quero saber do que pode dar certo”) sem ter que passar por cima das coisas que acredito e que formaram toda minha forma de pensar e agir. Vou ter que pensar mais sobre isso...

P.S. : A palavra humildade foi citada na conferência, apenas uma vez.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Curioso.


Você já viu uma nota de 3? Eu nunca tinha visto, mas não é que existe.
abraços e beijos